Começa uma nova época de voleibol feminino no Clube Desportivo do Colégio João Paulo II. Há sempre um entusiasmo especial nos primeiros treinos: reencontramos colegas, conhecemos novas atletas, voltamos ao pavilhão e sentimos novamente aquela vontade de competir, aprender e evoluir.
É também o momento certo para dizer o que esperamos desta época: queremos atletas que melhorem e equipas que cresçam juntas.
Melhorar começa com uma decisão simples: querer ser melhor do que fomos ontem. Não se trata de nos compararmos com a colega que está ao nosso lado, nem de medir tudo apenas pelos resultados. Trata-se de olhar para o nosso próprio caminho e perguntar: “O que posso fazer melhor neste treino?”. Essa pergunta, repetida todos os dias, pode valer mais do que qualquer vitória isolada.
Para melhorar, é preciso também aprender a lidar com o erro. Todas as atletas falham. Até as melhores. O erro faz parte do processo e mostra-nos onde precisamos de trabalhar mais. O que verdadeiramente faz a diferença é aquilo que acontece depois: levantar a cabeça, aprender e voltar ao trabalho.
Essa atitude também se treina.
Nada do que realmente vale a pena se aprende à primeira. Aprende-se com repetição, paciência e disciplina, mas também com a coragem de voltar a tentar quando as coisas não saem como queremos.
É isso que entendo por superação.
Superar não é apenas vencer quem está do outro lado da rede. É, muitas vezes, vencer a nossa própria vontade de desistir.
É continuar quando estamos cansadas. É acreditar quando o resultado ainda não aparece. É voltar ao treino no dia seguinte com vontade de fazer melhor.
E, depois de uma grande vitória, talvez o melhor sinal de uma grande equipa seja precisamente esse: querer voltar a treinar.
Sou exigente com as minhas atletas porque acredito nelas e naquilo que são capazes de alcançar. A exigência não nasce da falta de confiança. Nasce precisamente do contrário: da convicção de que podemos sempre aprender mais, fazer melhor e chegar mais longe.
Mas ninguém cresce sozinho.
Uma equipa só é verdadeiramente forte quando cada uma assume a sua parte: treinar com atenção, cumprir o que combinámos, ser pontual, estar presente, apoiar a colega e dar tudo por cada bola.
Quando cada uma cumpre, as outras podem confiar nela. E, quando todas cumprem, nasce aquilo que nenhuma atleta consegue construir sozinha: uma equipa em que todas podem confiar.
A responsabilidade de cada uma sustenta a confiança de todas.
E aquilo que aprendemos no pavilhão levamo-lo connosco para a vida. Aprender a trabalhar em equipa, a assumir os nossos erros, a respeitar os outros, a lidar com a frustração e a insistir quando custa são aprendizagens que ultrapassam as linhas do campo.
Treinar e estudar são compatíveis. Ambos exigem organização, compromisso e responsabilidade. Queremos atletas melhores no voleibol, naturalmente, mas queremos também jovens mais autónomas, responsáveis e preparadas para os desafios que encontrarão dentro e fora do campo.
Às famílias, deixo também uma palavra especial. A vossa presença, confiança e apoio fazem parte deste caminho. Acompanhem, incentivem e confiem no processo. Nem todos os dias serão fáceis e nem todas as bolas serão ganhas, mas todos os dias podem ser dias de aprendizagem.
Agradeço a todos os que fazem parte deste projeto: atletas, treinadores, famílias, dirigentes, colaboradores e parceiros. E agradeço, de forma especial, a todos os que acreditam no nosso trabalho e nos ajudam a crescer.
Uma nova época começa.
Não sabemos ainda quantas vitórias teremos, quantos desafios vamos enfrentar ou até onde conseguiremos chegar.
Mas sabemos uma coisa:
Vamos trabalhar para sermos melhores.
Vamos aprender com os erros.
Vamos lutar umas pelas outras.
E vamos crescer juntas.
Porque melhorar não é trabalho de uma só pessoa. Melhorar é um trabalho de todas.
Mário AzevedoCoordenador do Voleibol do Clube Desportivo do Colégio João Paulo II
Treinador Grau III de Voleibol